Arrepios

texto-autoral

Fora de foco, uma pulga atrás da orelha, uma palavra na ponta da língua, uma sensação iminente, porém que nunca estoura. De certo não há nada brilhante em perceber o óbvio, mas para quem vive cego, enxergar é uma catarse.

O tempo passa rápido e a percepção nunca acompanha, seus olhos cansados após o crepúsculo é o único, ecoado, grito que se ouve na distância entre o Ser e a cidade.

Falta de amor, falta de um terceiro, cai por terra a resposta fácil. Não há falta de terceiro quando não se conecta com seu segundo.
Não há contato com a cidade, não há razão para si quando não se permite tocar nas extremidades.
Não há, simplesmente, motivos para escrever quando se joga fora toda a experiência.

Ignorar a vida nunca foi sobre ser eficiente, mas sim sobre ignorar a si.